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O cerco de Paris pelos vikings (Joëlle Delacroix)


Fim do IXe século, o reino da Francia Ocidental foi atormentado por ataques vikings. O poder carolíngio então em plena decadência forçou a nobreza franca a lutar por seus próprios meios contra essas hordas dinamarquesas que subiam com seus drakkars os rios. Em seu romance histórico, Joelle Delacroix concentra-se em nos contar os episódios mais famosos deste período relativamente desconhecido: o cerco de Paris pelos vikings. Mas mais do que romantizar um feito de armas, o autor apresenta-nos o encontro de duas culturas irreconciliáveis ​​a priori.

Resumo

Novembro de 885, Eudes comte de Paris e Gauzlin, bispo da referida cidade, preparam-se para bloquear a impressionante armada Viking que sobe o Sena para ir ao pilar e ao inverno na Borgonha. Então começou um confronto terrível e sangrento que durou mais de um ano. No entanto, para além dos combates, das mortes e do ódio do inimigo, nasce uma frágil amizade entre Eudes e um jovem prisioneiro dinamarquês salvo da morte pela enigmática e fascinante Gisele, curandeira e intérprete que não deixa o conde indiferente. Essa amizade gaguejante leva o jovem escandinavo a questionar seu futuro e a escolher seu acampamento entre sitiantes e sitiados.

Uma estrutura original e documentada

Quando pensamos em romances históricos da Idade Média, cátaros, templários e outros grandes reis da França aparecem como temas recorrentes de intriga. Assim, se esta obra se interessa por outro tema muito frequentemente exposto, aqui os vikings, tem a originalidade de situá-lo num período muito pouco conhecido - o dos últimos carolíngios - do qual, logicamente, muito poucos romances ecoam uns aos outros. E esse é o ponto central deste primeiro volume: situar a ação da história em um período pouco conhecido para melhor nos ajudar a descobri-lo. E para além da descoberta, é precisamente a partilha de uma paixão que Joëlle Delacroix procura nos transmitir, uma paixão erudita, diríamos mesmo. Na verdade, mais do que um simples romance histórico, é um livro extremamente bem documentado, como evidenciado por uma bibliografia baseada em particular em Régis Boyer, o especialista em vikings ou em Pierre Riché para o mundo carolíngio, mas também em textos de época, como as crônicas de Abbon, principal fonte contemporânea dos acontecimentos relatados. Só podemos elogiar o trabalho de pesquisa e sua restituição neste romance que também nos apresenta o choque do encontro entre dois mundos.

O encontro sangrento de duas culturas

Quanto à história em si, é claro que o aspecto bélico e sangrento não foi esquecido. Joëlle Delacroix não economiza nos confrontos entre escandinavos e francos, as descrições da batalha em torno deste longo cerco, tudo sempre com uma atenção meticulosa aos detalhes históricos, mesmo que isso signifique às vezes se repetir um pouco. Mas para além dos muitos feitos de armas contados, o autor oferece-nos através dos protagonistas principais uma reflexão sobre o encontro de duas culturas, as suas diferenças e os atractivos que daí podem resultar. Assim, permite ao leitor mergulhar em dois mundos muito diferentes e aprender mais sobre este período muitas vezes esquecido da Idade Média. Assim, teremos apenas um simples arrependimento, o de não nos aprofundarmos na vida e nas práticas da época. Porque parece óbvio que o autor domina o assunto e poderia ter entrado em mais detalhes sobre a cultura dos francos e vikings para aprender mais com seus leitores. Mas não vamos esquecer que isso é um romance e não vamos amuar nosso prazer. Além disso, esta primeira obra sobre o cerco de Paris pelos vikings leva-nos irremediavelmente a querer saber o desfecho das aventuras do conde Frank Eudes, do jovem dinamarquês Porgils e da corajosa Gisèle através dos dois últimos volumes desta saga.

Joëlle Delacroix, O Cerco de Paris pelos Vikings, Volume 1: Os Vikings no Sena, O Cerco de Paris pelos Vikings, Volume 2: A Escolha de Porgils. Edições L'Harmattan, Paris, 2013.


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