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Os serviços secretos israelenses (Eric Dénécé e David Elkaïm)


Aman, Shin Beth: Esses dois nomes podem não parecer nada, mas eles são, junto com o serviço muito mais conhecido Mossad, parte da comunidade de inteligência israelense. Eric Denécé e David Elkaïm nos dão um relato da ação dos serviços de inteligência israelenses desde a fundação do Estado de Israel até os dias atuais.

Qual perspectiva?

Diretor do French Intelligence Research Center (CF2R), Eric Denécé, ex-analista, é um dos maiores especialistas franceses no mundo da inteligência. Depois de se perguntar sobre a história e a qualidade dos serviços de inteligência franceses em "Os serviços secretos franceses são nulos?" », Entrega, em colaboração com David Elkaïm, também investigador do CF2R, um trabalho de grande qualidade. Se parece difícil trabalhar com arquivos dos serviços israelenses, os autores preencheram essas lacunas contando, por um lado, com a imprensa especializada em inteligência, bem como com as memórias de ex-atores e ex-chefes de serviços israelenses.
A distribuição de tarefas entre os diferentes departamentos

A inteligência é imediatamente apresentada como o “seguro de vida” do estado hebraico. Um pequeno estado que se beneficia de nenhuma profundidade territorial estratégica no caso de um conflito, confrontado desde sua criação com a hostilidade de seus vizinhos, Israel teve que contar rapidamente com inteligência para prevenir e antecipar qualquer conflito. As tarefas foram gradualmente divididas entre três serviços principais: o Mossad é responsável pela coleta de inteligência nos países vizinhos e operações clandestinas, o Shin Beth é responsável pela inteligência doméstica e Aman é responsável pela inteligência militar. Embora muito descritiva e às vezes tediosa, a primeira parte do livro relembra a história das estruturas e o papel de cada um dos departamentos.
Da Guerra dos Seis Dias ao programa nuclear do Irã: os muitos desafios enfrentados pela inteligência israelense

Mais do que simples anedotas que às vezes podem ser encontradas em livros de espionagem, o livro de Denécé e Elkaïm reflete todas as questões da política internacional desde a década de 1950. Na década de 1960, a inteligência preocupava-se principalmente com as intenções dos principais rivais árabes - Síria e Egito - e, portanto, procurou se infiltrar nos escalões superiores do poder: é o caso em particular do espião Elie Cohen, que, fingindo ser um comerciante árabe, está inserido nos melhores sírios políticos e militares, mesmo esfregando ombros com Hafez al-Assad. A questão palestina também ocupa uma parte significativa do livro. Nesse sentido, é necessário sublinhar a importância de uma abordagem assumida pelo mundo da inteligência, conferindo maior complexidade a esta questão. O livro examina em particular os depoimentos de ex-oficiais e diretores da inteligência israelense, reunidos no excelente documentário "The Gatekeeper".
A última parte do livro trata do confronto dos serviços israelenses com o Irã e seu programa nuclear. Além do assassinato seletivo de cientistas e da sabotagem de usinas nucleares, unidas sob o nome de "Plano Daniel", é também uma oportunidade para abordar a questão da ciberespionagem: os israelenses, na vanguarda neste campo, estão notavelmente na origem do worm de computador Stuxnet, que eles fizeram em colaboração com a NSA.

Por causa das muitas questões internacionais e da situação de insegurança e incertezas que afetam Israel, este livro constitui uma excelente introdução à história das relações internacionais no Oriente Próximo e no Oriente Médio. Ele lembra os esforços feitos pelo Estado hebraico para garantir sua segurança e a necessidade de estabelecer um diálogo com seus vizinhos. Significa também conhecer bem as intenções de outros países da região, tarefa que cabe à comunidade de inteligência israelense.

O Serviço Secreto de Israel: Aman, Mossad e Shin Beth, de Eric Denécé, David Elkaïm. Tallandier, 2014.


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