As coleções

A Tragédia dos Templários (Michael Haag)


Na esteira de seu primeiro livro, Os Templários, da lenda à história, Michael Haag assina com A tragédia dos templários, A ascensão e queda, uma brilhante popularização interessada tanto nesta ordem religiosa e militar como nos Estados latinos do Oriente. Portanto, é um livro ideal para descobrir a história do Oriente Próximo na Idade Média.

Entre os Templários e a história da Terra Santa

Não espere chegar ao cerne da questão rapidamente. Na verdade, o primeiro terço do livro não trata da questão dos Templários. Além disso, o livro em si está longe de estar vinculado apenas a esta ordem. Se nos referirmos ao seu título original: A tragédia dos templários: a ascensão e queda dos estados cruzados, a obra também aborda o destino dos Estados latinos do Oriente, esses principados criados pelos cruzados. Dito isso, é bastante lógico que Michael Haag comece retornando à história da Terra Santa e das Cruzadas. Ele, portanto, leva seu tempo e não hesita em voltar muitos séculos rio acima para finalmente chegar à criação da Ordem do Templo. Como tal, o autor mostra um sincretismo surpreendente. Em algumas dezenas de páginas, ele nos conta sobre a história do Próximo e do Oriente Médio da Antiguidade à Idade Média com facilidade e clareza. No entanto, não evita certas armadilhas de popularização, felizmente limitadas à primeira parte da obra.

Ao misturar em tão poucas páginas tantos séculos de uma área geográfica tão grande e turbulenta, Michael Haag emerge de suas observações a simples evocação de fatos e principalmente de fatos bélicos. Costumamos avançar as figuras mais sérias de lutas e massacres sem jamais questioná-los, somos levados a pensar, por um lado, que ele se deixa levar com facilidade, por outro, que deixa certa ambigüidade a respeito. suas palavras, a primeira parte do livro produzindo um efeito muito “choque de civilizações”. Mas é claro que esse efeito é, em última análise, apenas o resultado de uma popularização muito rápida destinada a introduzir a história dos Templários e que a negligência ou más intenções que atribuímos ao autor são inexistentes. É exatamente o oposto, já que Michael Haag é mostrado apegado às fontes e seus questionamentos.

Uma popularização rara e brilhante

Se a primeira parte introdutória da obra prenunciou mais um livro comprometido, a segunda parte, abrindo o apelo à primeira cruzada pelo Papa Urbano II, dissipa todos os mal-entendidos. A partir de então, Michael Haag não se separou das fontes. Abordar as várias fontes existentes para cada fato maior, distanciar-se delas e explicar ao leitor por que é necessário fazê-lo, não hesitando em criticar os historiadores com certa e saborosa ironia sobre eles. literalmente, o autor faz o que todo livro de divulgação deveria fazer, mas nunca ou muito pouco: ele questiona as fontes. E até agora, nunca se destacou da popularização: facilidade de leitura e clareza do assunto. Se somarmos a essa tabela as muitas notas de rodapé, teremos um livro muito bom, longe dos clichês e do sensacional, apesar de seu título e a contracapa sugerirem o contrário.

Simplesmente lamentaremos o fim da obra, um tanto abrupta, despachando o fim dos Templários de maneira um tanto sucinta e desprovida de uma conclusão que teria sido salutar. Mas enfim, levando em conta os avanços históricos mais recentes, Michael Haag visa apenas oferecer uma verdadeira popularização nesta ordem onde a abundância de livros prefere fantasiar sobre histórias secretas. Destacaremos particularmente sua preocupação em buscar sempre no fundo da história as razões e as causas de um acontecimento. Um viés questionável, mas que, no caso de uma obra pública geral, se mostra formidavelmente eficaz. Portanto, só podemos recomendar este livro para quem deseja descobrir os Templários, mas também e acima de tudo o contexto histórico em que eles evoluíram.

Michael Haag, The Tragedy of the Templars, The ascensão e queda, Éditions Ixelles, 2014.


Vídeo: Templário do Brasil tem sede própria em estilo Medieval, a única na América Latina (Agosto 2021).