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O Guerreiro do Novo Mundo (M. Poirson-Dechonne)


Em seu último romance, O guerreiro do novo mundo, Marion Poirson-Dechonne apresenta a vida de uma figura histórica atemporal, uma pessoa que parece estar fora do comum para seu tempo. Semelhante a uma Joana d'Arc do novo mundo, feita para lutar e conquistar, Catalina de Erauso é uma mulher apaixonada pela liberdade, disposta a fugir por todos os meios para escapar desta condição que a sua família lhe atribuiu, a de freira. consagrada por Deus, para assumir o controle de seu destino.

Apresentação

A jovem Catalina de Erauso se recusa a aceitar sua vida de freira, enclausurada em um convento. Como seu irmão Miguel, travando uma guerra em todo o mundo, ela sonha apenas com descoberta e aventura. Para atingir seus objetivos, ela pretende abandonar seu status de mulher. Ajudada por seu físico andrógino, ela não apenas busca parecer um homem, mas realmente ser um. Sua sede devoradora de liberdade e sensação o levará a viajar para longe de sua Espanha natal, para descobrir e domar novas terras da América do Sul no século XVII.e século enquanto escondia a verdade sobre seu sexo. De seu épico formidável, ela ganhou o apelido de La monja Afferez, a freira tenente.

Nossa opinião

Prolix e elegante, a caneta de Marion Poirson-Dechonne nos leva rapidamente ao coração dos diferentes ambientes que sua heroína convive. Porém, é difícil para o leitor mergulhar na história centrada exclusivamente na personagem Catalina. Os outros protagonistas estão lá apenas para desempenhar papéis muito subordinados e secundários, ultrapassando um ou dois capítulos. Pensemos, por exemplo, no excelente e enigmático Irmão Tibullus, discípulo de Lucretia que nossa freira tenente conheceu durante sua viagem ao novo mundo. Esperamos apenas uma coisa, que é revê-lo, poder descobri-lo e conhecer a sua história. Se o autor atender às nossas expectativas depois, é sempre muito furtivo. Catalina é, portanto, a única personagem real do romance cuja leitura se resume à cadeia de suas aventuras ocorrendo com surpreendente rapidez: jornada, luta, duelo, descoberta, tudo contra um pano de fundo de questionamento existencial. O cenário histórico serve apenas de pano de fundo para contar a vida desta mulher indubitavelmente atípica, cujas aventuras só são excepcionais por ser mulher. Considerando a qualidade da escrita do autor, é uma pena que ainda estejamos com fome.

Extrair

Quando o sino de oração tocou, ela deixou o convento e juntou-se à amiga. Nenhum guarda aparece. Ninguém o preocupa. Ele janta e discute. Ouvindo a batida das dez horas, eles pegam suas espadas e mantos e se dirigem ao local designado. A noite, um preto fosco e mineral, é um tom plano de laca opaca, uma tela de obsidiana privada de todo brilho. A lua rala incrementa sua lâmina e adaga Kindjal no céu, sem difundir qualquer clareza. A escuridão é tão profunda que você nem consegue ver suas mãos. Catalina avisa.

- Precisamos de um sinal de reconhecimento.

- Vamos cada um amarrar o lenço no braço.

Eles esperam alguns minutos. Seus oponentes surgem.

Marion Poirson-Dechonne, O guerreiro do novo mundo, Éditions Rouge Safran, 2012.


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