As coleções

Expo: A Cidade Proibida no Louvre (China e França)


Enquanto a China se afirma como a segunda potência mundial, o Museu do Louvre se propõe a fazer um retrospecto de mais de oitocentos anos de história, mas com uma abordagem original. Com efeito, o visitante é convidado a descobrir o acervo do museu da Cidade Proibida num percurso que mistura história da China e história da França, olhando para as antigas relações entre os dois países, desde a Idade Média até os dias atuais.

Uma exposição em três partes

A escolha pode surpreender, e digamos que seja um pouco desconcertante, ainda que explicitada pelos organizadores. O percurso proposto divide a exposição em três partes: se as duas primeiras ficam frente a frente na ala Sully, a terceira é na ala Richelieu. O problema é apenas prático, mas parece incomodar muitos visitantes, que muitas vezes se encontram, começando pelo final, um pouco confusos.

Porém, pelo menos para as duas primeiras salas, o motivo apresentado é consistente: os curadores da exposição queriam mesclar a história da China com a história da França, tomando para isso as salas da história do Louvre. Aqui estamos em uma linha do tempo comparativa muito interessante. A terceira sala é inteiramente dedicada às coleções imperiais de Qianlong (1736-1795).

China e França na Idade Média (Salão de História do Louvre)

A primeira parte da exposição é talvez a mais interessante, pelo menos do ponto de vista histórico. É dedicado às relações diplomáticas entre a China e a França na Idade Média, relações pouco conhecidas do grande público que imagina um mundo fechado naquela época, exceto pela viagem de Marco Polo. Os laços diplomáticos entre os dois estados começaram no século 13, após o choque mongol. Assim, descobrimos cartas do rei Filipe IV, o Belo (1285-1314) ao Khan, e notamos a influência de Marco Polo nessas relações, uma vez que ele teria oferecido a Charles de Valois (irmão do rei) o primeiro cópia dele Livro das Maravilhas (1307). O rei Carlos V (1364-1380) também conheceu a China graças a um atlas catalão, que guarda em sua biblioteca do Louvre, e que descreve Khanbalik (Pequim) em 1375. O interesse dos príncipes da França por A arte chinesa é ainda verificada pela cerâmica, presente no inventário do Duque de Berry no século XV e que pode ser encontrada nas coleções reais de Luís XIV.

A exposição continua cronologicamente com obras da Dinastia Yuan da Mongólia (1271-1368). Foi a época de Kubilai Khan, imperador em 1277, de grandes obras como o Canal e de intensas trocas econômicas e culturais em grandes áreas geográficas. O Yuan é então contestado e derrubado pelos Ming, cujos dois imperadores do que corresponde à nossa Idade Média são Hongwu (1368-1398) e Yongle (1403-1424). Foi durante o reinado deste último que a Cidade Proibida foi construída.

China e França, séculos 16 a 20 (Salão de História do Louvre)

Ainda estamos na mesma parte da exposição, sala do Museu de História do Louvre, e continuamos fazendo um levantamento da história da França e da história da China juntos. Para este último, foi o período decisivo da Ming em que as artes da porcelana e da laca conheceram um grande desenvolvimento. Para os Ming, falamos de um "renascimento" artístico, técnico e científico; é o desenvolvimento da impressão, pintura clássica e grandes edifícios (além da Cidade Proibida, as Tumbas Ming ou o Templo do Céu).

Em 1644, foram sucedidos pelos Qing, originários da Manchúria, e que seriam a última dinastia imperial antes da queda do último imperador em 1911. Os Qing iniciaram relações com a França de Luís XIV, que enviou jesuítas à China. A corte imperial acolhe muitos artistas europeus, incluindo o pintor milanês Giuseppe Castiglione (1688-1766), o que resulta em obras originais e às vezes surpreendentes. É também o período do imperador Qianlong (1736-1795), a quem é dedicada a sala da ala Richelieu, e que é contemporâneo de Luís XV e Luís XVI.

Com efeito, a exposição permanece ao longo desta sala na mesma lógica: comparar os reinados dos imperadores chineses e os reis da França, no contexto da construção, depois os desenvolvimentos do Louvre. No século 19, não era mais um palácio, mas tornou-se um museu. Ao mesmo tempo, a China experimentou grandes dificuldades diante do imperialismo europeu, apesar do longo reinado da Imperatriz Tzu Hi (1861-1908). Cronologicamente (de passagem, saudamos os frisos comparativos apresentados), a exposição termina com a República da China.

Cidade Proibida e Louvre (quarto modelo)

A segunda parte, na sala Maquette da ala Sully, concentra-se principalmente na Cidade Proibida e no Louvre. A construção da primeira começou durante o reinado de Yongle, em 1406, e a exposição oferece diferentes modelos para entender sua evolução (foi concluída antes de 1420). É aqui também que se pode admirar um magnífico e gigantesco pergaminho pintado que mostra o imperador inspecionando suas tropas ("os Oito Estandartes em Formação"). O Louvre, por sua vez, é representado por uma videomontagem e diversos elementos arquitetônicos, além de pinturas.

O reinado de Qianlong (ala Richelieu)

A parte final da exposição é dedicada exclusivamente ao Imperador Qianlong (1736-1795), cujo longo reinado marcou o auge da Dinastia Qing. Como os príncipes europeus desde o Renascimento e até Luís XIV, Qianlong é ao mesmo tempo um patrono, um colecionador e um artista que se coloca em representação. Uma arte da corte assim desenvolvida, com artistas protegidos como Castiglione. As obras do próprio imperador estão representadas: poemas, caligrafias ou pinturas.

Nesta mesma sala, também aprendemos sobre o curso da vida cortesã, muito regulada, antes de admirarmos uma sala do trono reconstituída, com entre outras coisas imponentes sinos de bronze e pedras sônicas de jade.

A exibição A Cidade Proibida no Louvre. Imperadores da China e reis da França No final, revela-se bastante rico, com mais de uma centena de obras, muitas delas inéditas e sobretudo magníficas. No entanto, podemos lamentar que algumas não sejam muito bem apresentadas, nem sempre a iluminação possibilitando discernir todos os detalhes de certas peças e manuscritos. O conceito de entrelaçar a história da China pela Cidade Proibida e a da França pelo Louvre é uma ideia muito boa, mesmo que leve a uma construção expositiva que possa confundir o visitante desinformado.

- Exposição A Cidade Proibida no Louvre. Imperadores da China e reis da França, Musée du Louvre, até 9 de janeiro de 2012.


Vídeo: Dicas de Paris. Museu do Louvre - Parte 1 (Outubro 2021).